segunda-feira, 13 de julho de 2009

Filosofia na varanda

Márcia Tiburi, escritora. Filósofa, sem frescuras de ter essa denominação. Esta mulher é incrível. O que ela disse em entrevista para o site G1, sobre filosofia e literatura, carimbo meu dedão e concordo escancaradamente. Trechos:
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"Não trabalho com “A Filosofia”. Esta é como “A Literatura”, ou seja, são as formas prontas do pensamento e da escrita. Eu prefiro a invenção: filosofia como potência, literatura como criação sempre renovada. Por isso, popularizar também não é um bom verbo. Mas imagino que mostrar às pessoas que elas podem ser donas de seus próprios pensamentos, isto para mim é fazer com que se entre em contato com o poder que luta contra as ideologias. O poder do pensamento que se fará ação e que nos trará novas liberdades, ainda que elas sejam trágicas".
(...)
G1: Se pensarmos no papel que filósofos/intelectuais engajados, como Sartre, tiveram no passado, você não acha que a filosofia perdeu um pouco de ambição, limitando-se a uma reflexão passiva, sem intenção de transformar a realidade?

MARCIA: Você volta a falar de “A Filosofia”. Eu prefiro falar de “filosofias’, “nossas filosofias”, “potências filosóficas” etc. E, ao contrário, penso que estamos vivendo uma revolução sutilmente democrática. Sartre foi bacana abrindo a filosofia para o cotidiano. Marx falando que ela deveria ser mais prática do que mera teoria. Adorno mostrando que a teoria é uma forma de prática. Hoje, abres-se o espaço para que “filosofia” seja algo que possa fazer parte da vida. As pessoas temeram a complexidade do pensamento e abdicaram de pensar por conta própria. Hoje esta vontade de pensar, de entender, se renova. Eu faço o que quero em termos de filosofia. Isto pode incomodar, mas pode também ajudar, pode atrapalhar ou promover ações justas. Eu penso que o papel de quem se dedica à filosofia, seja como estudo isolado, seja como trabalho social, é provocar pensamentos e com eles o diálogo entre todos. O filósofo em nosso tempo deve ser também um comunicador das possibilidades do pensamento como arma que nos liberta de ideologias: seja o capitalismo e o consumismo, seja o conservadorismo ou qualquer messianismo. Isto é, a tarefa do filósofo é a crítica.

Um comentário:

  1. eita! mas do nada seu blog andou!
    reparei que andas usando a técnica de paint heim!

    bom blog esse... parece até coisa de gente grande!

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