quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Amanhecido


     o poema que não dura
     - registro do efêmero –
     nem na conversa dos pássaros que sustentam
     a manhã, menos no vapor
     do café já passado

     não penso agora no poema cósmico
     no verbo primeiro
     sexo ontológico de abstrações

     quero um verso rádio
     vindo de encontro
     raio verde da loira longelínea
     sardas pintadas pela proxima tarde
     mar vermelho na cabeça da ruiva
     (imagino seus pentelhos)
     o som do fim do sono da
     companheira espreguiçando trabalho

     um texto para ruminar no trem
     santo andré
                   até o brás
      encontrar ciganas e índios bolivianos
      vendendo cd com a dança sagrada do sol
              - capaz de chover
                      ainda hoje –
                                  
      também não o poema-salário que não
      é poesia, no máximo pressão que não
      se espanta
                                  
      preciso da palavra crente: levanta
      e anda
      preciso urgentemente de mais
      café


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