terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Das Obras


No canteiro de obras,
as flores que brotam são flores de pedras.
Nem tanto, nem flores:
espelhos e torres que riscam e impedem
e perdem-se as linhas
e as vilas e as ilhas que são as pessoas.

Levanta a montanha
na manhã das pontes
- no horizonte, o sol vem à tona.
Migalhas de sim e de não,
minha mãe, seus irmãos,
desconhecida gente
descendo à cidade:
de todas as partes
vem trabalhadores
e pombas e graças
e atores de praça e a fome tropeça
pé de maravilha

A força do espanto
(mareja suor
da máquina-mundo)
pergunta e segreda:  

será um bom dia?

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