quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

POÉTICA


De botânica tudo ignoro
mas amo as plantas
e as árvores e as flores
e as abelhas que as inventam
e o inseto a quem emprestam cor
e a aranha que lhes filtra (geométrica) a luz,
o gafanhoto, o besouro
a borboleta.

Elos do mesmo vegetal
estes contêm aqueles –
são deles a entranhada memória
a mala:
a muda
no salto para outra esfera.

Eis como a pétala ganha asas.
Eis como voo.


Maria Lúcia Dal Farra,
em Deslumbramentos, Ed Iluminuras

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