quinta-feira, 13 de março de 2014

MURILO MENDES (1901 - 1975)

TEMA ANTIGO

Vestindo as nuvens órfãs,
Esticando a pedra eterna,
Dando às fontes de beber,
Eu consagrei o universo.

Alimentei até os sonhos,
Dialoguei com a esfinge móvel,
Fiz florescer o deserto.
Quando vi, não era nada,
Me apalpei, formas se riam
Fugindo ao meu esqueleto.

Foi então que vi o amor
Colado aos braços da morte
Montar no cavalo azul:
A solidão sem ornatos
Me apresentou a mim mesmo.

(MENDES, M.. Poesia Completa e Prosa, 1994. In: As Metamorfoses[1938], p.331)


Murilo Mendes é um eco em mim, um som contínuo, um riso profundo. Uma lua. Sinto não uma influência, mas um grito de luz que vem de suas imagens plásticas e que, de alguma maneira, manejo por ouvir sua voz.

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