quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A OUTRA INFÂNCIA - Murilo Mendes


Meninos que daqui não vejo
Dançam e cantam de roda no terreiro ao lado.

O menino que também brincou de roda
Seria mesmo eu? Creio que não.
(Viramos crianças
Ao imaginar a criança que não fomos.)
Já era outro menino, já pensava,
Iluminando-me com duas luas
— Uma na cabeça.


(Mendes, M. 1994, In: Poesia Liberdade, p.423, [1944-5])

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