terça-feira, 3 de março de 2015

Tirocínio

A poesia como um espanto, uma perscrutação sobre a existência. A linguagem mínima que perfure o que não é linguagem. A poesia como amante da filosofia, uma amante que não deseja nem fidelidade, muito menos lealdade. Sempre foi, sem planejar, um caminho da minha escritura. Fernando Pessoa, Drummond, as máquinas do mundo: são poetas da pergunta, cada qual em sua estrada, mas nenhum me é familiar. Depois da leitura de Nietzsche me tornou impossível continuar a fazer a pergunta (estética-existencial) usando a linguagem cotidiana, ainda que transformada pela poética. Cada vez mais se faz necessário, para mim, a construção de uma linguagem outra, que invente uma sintaxe, que gagueje um idioma.

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XXVI

Mais que a existência
É um mistério o existir, o ser, o haver
Um ser, uma existência, um existir —
Um qualquer, que não este, por ser este —
Este é o problema que perturba mais.
O que é existir — não nós ou o mundo
Mas existir em si?

Fernando Pessoa, em O Primeiro Fausto

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