domingo, 27 de setembro de 2015

Um Soneto

A tumba entreaberta feito costela,
cheirando à passado, pó e gerânio.
Chama a atenção de quem passa por ela
a voz medonha: roubaram meu crânio!

Ninguém sabe do que falava às tantas
quando viva, a mandíbula. Ou do peso
vertebral que a coluna já não levanta.
Se seu sonho era leve ou obeso.

É preciso pedir à quem compete,
ouvir testemunhas de par em bar,
investigar góticos e Hamlet.

A quem interessa a cabeça morta?
Será que a vida serve para acabar
em um soneto de métrica torta?

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