Artes Visuais

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Variações sobre o mesmo tema

A globalização chegou neste blog: brinquei de verter um poema meu para o espanhol.
Para a versão em inglês, contratei a Yana Lumi, japonesa-com-cabelo-dread-que-estuda-ciências-sociais-mas-quer-fazer-música-ou-estudar-meio-ambiente-e-toca-flauta-viajando-pela-américalatina-e-que-faz-estágio-junto-comigo-e-batizou-este-blog. O original também está neste blog, em algum lugar do passado. Eia, pois:



segunda-feira, 27 de julho de 2009

Isto significa que...

A Yana Lumi, japonesa-com-cabelo-dread-que-estuda-ciências-sociais-mas-quer-fazer-música-ou-estudar-meio-ambiente-e-toca-flauta-viajando-pela-américalatina-e-que-faz-estágio-junto-comigo-e-batizou-este-blog escreveu no twitter, o qual está viciada, que:

- O SENTIDO DA VIDA É NOSSA NOVA MANIA
Aí lembei desta minha micro peça aí embaixo e respondi filosóficamente:
- SÓ...

De violências e Violetas

(Apartamento de Éfe)

PÊ - E então?

ÉFE - Acho que já. Melhor assim. O prazer é maior depois. Você tem experiência com isso?

PÊ - Muita. Mas não gosto. Me incomoda. Sinceridade.

ÉFE - Diz que adora, que é o seu motivo de ser. Fala que te faz gozar.

PÊ - Aí é mais caro.

ÉFE - Eu pago.

PÊ - Adoro. Isso me faz não ter medo da morte, é quando me torno divino, enfim. Faço de todas as formas, rápido, com força. Se quiser, posso ser mais, brincar lentamente com o desejo da pessoa, acariciar a vontade alheia até a pessoa chorar de satisfação. Homens, mulheres. Até em casal. Alguns preferem assim. Os dois se contendo para chegarem todos juntos ao final.

ÉFE – Não ter medo da morte...e depois?

PÊ - Não gosto de pensar nisto.

ÉFE - Acho a eternidade tão assustadora quanto.

PÊ - Por que isso agora? Não prefere fazer logo?

ÉFE - Tem razão. Eu não queria assim, mas sabe como é a vida, não é?

PÊ - (vai tirando a roupa de ÉFE) Tem muita coisa.

ÉFE - Não entendi até agora o seu motivo. Se te incomoda, por que faz?

PÊ - Você faria? Assim, de um jeito frio, sem ter com quem conversar?

ÉFE - Tantos anos que não sinto. Essa força, meus gestos encharcados de sentidos. Não existe mais impureza. Só este céu violeta, a cidade repartida pelos gritos.

PÊ - O silêncio.

ÉFE - Sim, o silêncio aqui dentro. Olha lá, nem apressados, nem contentes, nem arredios. Este silêncio é só meu.

PÊ - Gosta assim? Gosta? Gosta?

ÉFE - Gosto. Assim, assim mesmo.

PÊ - Na cama? Na mesa, no chão, na parede, onde quer que seja o nosso templo?

ÉFE - Na janela. Quero que todos vejam meu corpo, o vento me arrepiando no fim da tarde. O mundo vai gemer com meu êxtase. Me dá um beijo.

PÊ - Aí é mais caro.

ÉFE - Eu pago. Eu pago. (beijam-se) Apaga a lua quando sair?

PÊ - Quis dizer a luz?

ÉFE - Desculpe.

PÊ - Não precisa perdão. Apago a luz, a lua, a porta.

ÉFE - (Senta-se na janela, com as costas para fora) Vem. Espera. Posso pedir só mais um....

PÊ - Tudo que quiser.

ÉFE - Fala que me ama.

PÊ - Aí é mais caro.

ÉFE - Eu pago.

PÊ - Eu te amo.

ÉFE - Pronto. Pode acabar.


1- PÊ empurra ÉFE pela janela.
2- Luz se apaga.

(Sem Título) ou Poemas - Paisagens







quarta-feira, 22 de julho de 2009

Lição para pentear pensamentos matinais

Pensamentos, como cabelos, também acordam despenteados. Naquela faixa-zumbi que vai em slow motion, desde sair da cama, abrir as janelas, avaliar o tempo e calçar os chinelos até o primeiro jato da torneira – feito fios fora de lugar emaranhando-se, encrespam-se, tomam direções inesperadas.Com água, mão, pente, você disciplina cabelos. E pensamentos? Que nem são exatamente pensamentos, mas memórias, farrapos de sonho, um rosto, premonições, fantasias, u m nome. E às vezes também não há água, mão, pente, gel ou xampu capazes de domá-los. Acumulando-se cotidianas, as brutalidades nossas de cada dia fazem pouco a pouco alguns recuar – acuados, rejeitados – para as remotas regiões de onde chegaram. Outros como cabelos rebeldes, renegam-se a voltar ao lugar que (com que direito?) determinamos para eles. Feito certas crianças, não se deixam engabelar assim por doce nem figurinha.

Pensamentos matinais, desgrenhados, são frágeis como cabelos finos demais que começam a cair. Você passa a mão, e ele já não está mais ali – o fio. No travesseiro sempre restam alguns, melhor não olhar para trás: vira-se estátua de cinza. Compacta, mas cinza. Basta um sopro. Pensamentos matinais, cuidado, são alterados feito um organismo mudando de fuso horário. Não deveria estar ali naquela hora, mas está. Não deveria sentir fome às três da tarde, mas sente. Não deveria sentir sono ao meio-dia, mas. Pensamentos matinais são um abrupto mas com ponto final a seguir. Perigosíssimos. A tal ponto que há risco de não continuar depois do que deveria ser uma curva amena, mas tornou-se abismo.

E só vamos em frente porque começam a acontecer urgências. Enquanto a manhã dispara e o telefone toca e a campainha soa e as crianças vão precisam sair para a escola e o relógio de ponto ou qualquer coisa assim – incluindo os outros, sobretudo os outros – não esperam. Nada espera, ninguém. Você lava o rosto, finge não ter visto coisa alguma. É possível também ligar o rádio. Um banho frio, o café feito uma bofetada. Há pensamentos-matinais-despenteados que põe o rabo entre as pernas e dão o fora, mas outros – mulheres de Nelson Rodrigues – adoram apanhar.

Quanto mais você bate, mais ele arreganha os dentes e estica para apanhar mais. Isso magnetiza e atrai outros pensamentos, ainda mais descabelados e até então escondidos. Se era um nome, vem um sobrenome. Se era um rosto, vem a textura da pele, um cheiro um jeito de olhar. Se fantasia, ganha cor, e assim por diante. Pensamentos desse tipo são quase sempre proustianos: loucos pelo velho e bom tempo perdido.

Descargas, não quero parecer alarmista, às vezes entopem. E devolvem justamente aquilo que deveriam levar embora, num comportamento que é o avesso daquele para qual foram programadas. Ah o avesso, esse o problema. Pensamentos assim são um sintoma do avesso. E o avesso é a superfície correspondente, igual em tamanho e forma, a tudo aquilo que você considera o direito. Conhecer de cor-e-salteado o direito absolutamente não dá direito a conhecer também o outro lado. Sinto muito, mas ele sempre está lá. Incógnito, invisível, inviável. In, enfim.

Por ser assim, desordena-se. Pelas manhãs, mesmo que o de-manhã de alguns aconteça às seis da tarde. Mesmo nos calvos, a cabeleira abstrata pode amanhecer tão eriçada quanto a da Medusa. E se em vez de veneno as cobras tiverem mel? Tudo depende não me pergunte de quê. Só sei que deve-se olhar direito nos olhos deles, tocar sem nojo nem medo suas mãos cobertas de musgo, teias de aranha. Passar num susto a mão pelos cabelos, reais ou não. Deve-se sempre com a doçura e paciência possíveis nessas situações, mudar rápido de assunto. Ou cair no poço.

Caio Fernando Abreu - PEQUENAS EPIFANIAS

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Laerte

Laerte com seus quadrinho dá de dez em muitos pretensos escritores. Inclusive eu!!!





segunda-feira, 13 de julho de 2009

Filosofia na varanda

Márcia Tiburi, escritora. Filósofa, sem frescuras de ter essa denominação. Esta mulher é incrível. O que ela disse em entrevista para o site G1, sobre filosofia e literatura, carimbo meu dedão e concordo escancaradamente. Trechos:
.
"Não trabalho com “A Filosofia”. Esta é como “A Literatura”, ou seja, são as formas prontas do pensamento e da escrita. Eu prefiro a invenção: filosofia como potência, literatura como criação sempre renovada. Por isso, popularizar também não é um bom verbo. Mas imagino que mostrar às pessoas que elas podem ser donas de seus próprios pensamentos, isto para mim é fazer com que se entre em contato com o poder que luta contra as ideologias. O poder do pensamento que se fará ação e que nos trará novas liberdades, ainda que elas sejam trágicas".
(...)
G1: Se pensarmos no papel que filósofos/intelectuais engajados, como Sartre, tiveram no passado, você não acha que a filosofia perdeu um pouco de ambição, limitando-se a uma reflexão passiva, sem intenção de transformar a realidade?

MARCIA: Você volta a falar de “A Filosofia”. Eu prefiro falar de “filosofias’, “nossas filosofias”, “potências filosóficas” etc. E, ao contrário, penso que estamos vivendo uma revolução sutilmente democrática. Sartre foi bacana abrindo a filosofia para o cotidiano. Marx falando que ela deveria ser mais prática do que mera teoria. Adorno mostrando que a teoria é uma forma de prática. Hoje, abres-se o espaço para que “filosofia” seja algo que possa fazer parte da vida. As pessoas temeram a complexidade do pensamento e abdicaram de pensar por conta própria. Hoje esta vontade de pensar, de entender, se renova. Eu faço o que quero em termos de filosofia. Isto pode incomodar, mas pode também ajudar, pode atrapalhar ou promover ações justas. Eu penso que o papel de quem se dedica à filosofia, seja como estudo isolado, seja como trabalho social, é provocar pensamentos e com eles o diálogo entre todos. O filósofo em nosso tempo deve ser também um comunicador das possibilidades do pensamento como arma que nos liberta de ideologias: seja o capitalismo e o consumismo, seja o conservadorismo ou qualquer messianismo. Isto é, a tarefa do filósofo é a crítica.

Caderno de Visitas

Quem andou varandeando por aqui e deixou marca:

Aô Varandeador

gritando)"Donde há dor?
Donde estamos nós?
Apertemos os nós dos bambus:
e construiremos uma varanda solidária."
(inspirado na bonita varanda do blog)


Renan Rovida
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-Eu?
Eu não vou co-mentar...
Nem co-mentir.
Deixe que eu minta só-zinho.
Eu so-nho.
Eu dur-mo.
Eu dor-mi. Eu dor-fá. Eu dor-sol.
Eu acor-do. Eu acor-dei.
E daí?
Eu não fiz ba-rulho
nem embrulhei o meu ba-ralho.
Esse é o meu tra-balho.
É o meu ofí-cio que
não é fá-cil, não.
Va-leu meu ir-mão, Ta-deu!
Eu-rico.Eu-rimo.Riu, meu!
Eu?

Eurico, eternamente (Eurico de MarcosJardim)
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Essa ganhei de aniversário:
.
Felicidades!
não só hoje, mas sempre!
muita Criatividade!
não só hoje, mas sempre!
muita prosperidade!
não só hoje, mas sempre!
muito equilíbrio!não só hoje,mas sempre!
tudo de bom!não só hoje, mas sempre!
paz,luz e harmonia hoje e sempre!
Marcinha Luna